Nathan Fronza apresenta o EP conceitual “Paz, Pão e Terra”, um mergulho sonoro entre política, introspecção e catarse

Fernando Baronese

(Arte capa: João Jankowski)

A proposta do trabalho é convidar o ouvinte para uma experiência completa, que se revela plenamente quando escutada do início ao fim

Com mais de 20 anos de estrada, Nathan Fronza já integrou dezenas de bandas e projetos, realizando mais de 150 shows por ano no Brasil e no exterior, atuando como sideman, membro fixo de bandas autorais e participando de orquestras, programas de televisão e produções em estúdio

Ouça o EP

 

O cantor e compositor Nathan Fronza apresenta ao público o EP “Paz, Pão e Terra”, disponível em todos os aplicativos de música a partir desta sexta-feira (27 de março), pela Marã Música. Com cinco faixas que dialogam entre si como capítulos de uma mesma narrativa, o projeto surge como um trabalho conceitual que mistura reflexão política, inquietação existencial e uma jornada emocional intensa.

Segundo Nathan, o EP nasceu de uma necessidade urgente de transformar em música sentimentos e ideias acumulados ao longo de anos. “O EP se trata de um trabalho conceitual, ou seja, todas as músicas dialogam entre si, como se fosse uma história contada com início, meio e fim. De certa forma eu poderia dizer que tudo que está ali é um desabafo, ou talvez um grito de desespero, porque eu realmente não tinha mais como segurar todos estes sentimentos, ideias e reflexões que eu vim guardando ao longo de muitos anos”, revela o artista.

A proposta de “Paz, Pão e Terra” é convidar o ouvinte para uma experiência completa, que se revela plenamente quando escutada do início ao fim. “O EP tem uma mensagem política muito forte, mas também pode ser interpretado como uma jornada rumo ao seu interior onde você irá encarar diversas facetas do seu próprio ser. Em alguns momentos você se sentirá inspirado para lutar pelo que acredita, mas também incomodado, e às vezes até abraçado. Tenho certeza que se você colocar um fone de ouvido e aceitar passar por esta jornada do início ao fim, algo irá mudar dentro de você”, afirma.

Musicalmente, o projeto nasce de um processo profundamente autoral. Nathan assumiu a produção musical e gravou praticamente todos os instrumentos, com exceção da bateria e algumas participações pontuais. A ideia era criar um som que transmitisse a sensação de uma banda tocando junta, com personalidade e imperfeições orgânicas. “Eu queria que soasse como se fosse uma banda tocando junto, com músicos diferentes e cada um com sua própria personalidade. Caso contrário soaria como um álbum solo de guitarrista, com ênfase total na guitarra, o que não era o meu objetivo”, explica.

Para alcançar essa estética, o artista apostou em um processo de gravação DIY, privilegiando texturas orgânicas e experimentação sonora. “Houve muito trabalho para conseguir uma sonoridade mais orgânica, com amplificador valvulado sempre no volume correto, bem alto, além de buscar uma certa sujeira no som. A maior parte das gravações foram feitas aqui em casa. A ideia era gravar na raça, sem grandes estúdios nem nada muito exuberante, e mostrar que é possível alcançar um bom resultado sem gastar uma fortuna, desde que você saiba o que está fazendo e tenha algo a dizer”, conta.

O processo de composição também teve uma virada decisiva quando Nathan passou a estruturar o projeto a partir do conceito antes das músicas. Inspirado por uma conversa com um professor de produção musical, ele desenhou primeiro a intenção estética e narrativa do EP e, a partir disso, organizou ideias que guardava há anos. “Quando eu defini o conceito, o processo fluiu muito rápido. Em cerca de uma semana eu já tinha o EP montado com toda a pré-produção realizada. Algumas ideias antigas ganharam nova forma e outras nasceram do zero, como ‘Swing Rock’, que surgiu justamente para criar a ponte de energia entre ‘A Última Sombra’ e ‘GASlighting’”, relembra.

Mais do que um lançamento musical, Nathan espera que “Paz, Pão e Terra” também funcione como um impulso criativo para outros artistas e como um espaço de identificação para quem ouvir. “Para quem é do meio artístico eu espero que pense: ‘se ele fez, eu também posso fazer’. Que as pessoas rompam com qualquer coisa que esteja impedindo elas de lançar um material autoral. E para quem ouvir, espero que sintam que não estão sozinhas. A música é algo muito maior do que eu, e se essas canções pediram para nascer, é por algum motivo”, reflete.

Agora, com o lançamento próximo, o sentimento é de entusiasmo e expectativa. “Finalmente chegou a hora. Eu achei que estaria com medo, mas agora não sinto nada além de ânimo. Estou doido para receber o feedback das pessoas e ver se elas vão se identificar. Tem muita energia envolvida nas músicas, é puro rock n’ roll, mas ao mesmo tempo elas trazem muitas reflexões e sentimentos mistos”, diz.

Antes da chegada do EP completo, Nathan já apresentou ao público os singles “A Última Sombra” e “Pessimismo da Razão” que ajudaram a introduzir o universo conceitual do projeto. Em breve, o artista também pretende compartilhar um documentário mostrando os bastidores das gravações e todo o processo criativo por trás do trabalho.

 

CONFIRA A TRACKLIST DE “PAZ, PÃO E TERRA”:

 

01 – A Última Sombra

02 – Swing Rock

03 – GASlighting

04 – Pessimismo da Razão

05 – Otimismo da Vontade

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